Competências e Habilidades de um Síndico

Até pouco tempo atrás a imagem predominante do síndico era o aposentado que passava maior parte do tempo no condomínio e se tornava, por aclamação algumas vezes, o eleito ideal para assumir tão grandes desafios. Já não estamos mais nessa época, felizmente; é claro que não significa que aposentados não possam assumir tais funções ou que os exemplos destas pessoas sejam negativos! Longe disso, mas é que já há cerca de duas décadas um novo mercado de trabalho vem se aperfeiçoando até mesmo nas cidades de médio porte.

A função de síndico ganhou muito mais notoriedade com o crescimento das cidades e expansão quase desenfreada de condomínios residenciais, numa tendência constante de diminuição de habitações residenciais. Nem todo mundo que fazia opção por um condomínio estava disposto a assumir responsabilidades; na verdade, alguns desses novos moradores buscavam justamente o contrário, isto é, alguém que assumisse as obrigações comuns como segurança, limpeza, áreas de lazer etc. em seu lugar.

Começaram, então, a surgir várias empresas do ramo e, com elas, a demanda por profissionais foi aumentando. Inicialmente, o pré-requisito baseava-se essencialmente na cordialidade e na disponibilidade do síndico profissional que, claramente, percebeu-se não eram suficientes. O mercado de trabalho foi se expandindo, e os bons profissionais foram encontrando bons empregos e o efeito bola de neve positivo foi se formando.

Hoje, a cordialidade e a disponibilidade ainda permanecem como ideias interessantes, mas o perfil do bom profissional está focado na capacidade de gerenciamento. Antes de tudo, um bom síndico profissional deve ser um bom gestor: os conhecimentos da administração, suas técnicas e especialidades, em conjunto com o planejamento formam a boa qualificação que o mercado de trabalho requer.

Essa evolução foi conquistando espaço e reconhecimento, e novos profissionais surgem no mercado de trabalho já com a ideia de praticarem seus conhecimentos na gestão de um condomínio, seja ele de pequeno porte, com apenas um edifício e poucas unidades habitacionais, sejam os grandes condomínios com centenas e até mesmo milhares de unidades habitacionais. Por isso, hoje já podemos claramente concordar que alguns síndicos profissionais têm uma real vocação para essa atividade.

Cada condomínio tem suas particularidades e as demandas podem estar bastante diferenciadas. Mas, as experiências mostram que muitos problemas, e também as soluções, se assemelham de tal forma que é possível traçar uma linha comum e deste resultado extrair certas referências que nos ajudarão a melhor identificar competências e habilidades na gestão de um condomínio, seja síndico profissional ou não. É claro que essa não é uma regra única nem exclusiva e que se aplica tal e qual a todos os síndicos e condomínios; apesar disto, pode servir como orientação básica e deve ser complementada caso a caso como também ajustada para cada necessidade em cada um dos condomínios.

Dentre as competências e habilidades essenciais para um síndico podemos destacar:

  • Disponibilidade – Vale tanto, em tempo, para dedicar-se ao condomínio, presencialmente ou fora dele (resolvendo os assuntos a ele pertinente), quanto àquela disponibilidade do profissional de atualizar-se sobre o mercado.
  • Comunicação – Fundamental que o síndico tenha essa habilidade de saber comunicar-se, dividida entre o “saber ouvir” (ter paciência para escutar) e o “saber falar” (transmitir com clareza as informações).
  • Empreendedorismo – Capacidade de tomar iniciativas, mesmo quando não há problemas a vista, para poder oferecer novidades e adaptações que podem contribuir para a melhoria do condomínio.
  • Gestão Empresarial – Competência para compreender minimamente que o condomínio tem receitas e despesas, e que a regra básica é que a primeira seja maior do que a segunda.
  • Imparcialidade ao cumprir as regras – Saber fazer cumprir as regras com toda a imparcialidade e diplomacia, sem perder a qualidade da compreensão e diálogo, mas mantendo a necessária organização interna do condomínio.
  • Visão de Futuro – Compreender o condomínio como uma organização que precisa ser melhorada constantemente, adaptar-se às novas funcionalidades e exigências dos condôminos e, consequentemente, antecipar-se ao futuro para poder gerenciar receita e despesa tanto a curto, mas também a médio e longo prazos.
  • Planejamento – Confirma o item anterior, pois o síndico deve estar preparado para planejar todas as suas atividades e antecipar-se, não somente aos problemas, no limite de sua possibilidade, mas às demandas em melhoria de qualidade de vida.
  • Sociabilidade – Não significa que o síndico deva frequentar todas as reuniões no salão de festas nem saber o aniversário de todos, mas que deve ser capaz de tratar a todos, dos funcionários aos moradores, sem esquecer os visitantes, com cordialidade e respeito, pois ele representa – mesmo involuntariamente – o condomínio e todos os seus proprietários e moradores.
  • Atualidade – Significa que o síndico deve ter a perspicácia de buscar sempre novas informações sobre todos os assuntos de interesse do condomínio, desde a inovação na legislação tributária ou trabalhista, a novos materiais, produtos e serviços que melhorem a qualidade de vida dos condôminos.
  • Parceria Profissional – Seja para a contratação de serviços ou compras de produtos mas, principalmente, com os funcionários do condomínio, tendo capacidade de envolvê-los no desempenho de cada uma das atividades, contando com sua colaboração e opinião e, portanto, eliminando a figura do autoritarismo.

 

 

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